Tauã Brito, mãe de Wellington Brito, um dos 122 mortos na megaoperação nos Complexos da Penha e Alemão em 28 de outubro de 2025, vive um profundo luto e se dedica a ajudar outras mães que enfrentam a mesma tragédia. Ela buscou seu filho por mais de 12 horas antes de encontrá-lo sem vida na mata.
Busca desesperada e tragédia
No dia da operação, Tauã saiu de casa às 8h, determinada a encontrar Wellington e convencê-lo a se entregar à polícia. No entanto, foi impedida por disparos de policiais que visavam proteger a área. Somente à noite, após a saída dos agentes, ela conseguiu entrar na mata e localizar o corpo do filho por volta de 1h30 da madrugada. O jovem estava com uma corda amarrada no braço, o que levantou questionamentos sobre as circunstâncias de sua morte. Tauã acredita que Wellington merecia a chance de se entregar.
Investigação em andamento
As mortes ocorridas durante a operação estão sendo investigadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e pela Delegacia de Homicídios da Capital. Enquanto isso, Tauã não apenas busca respostas sobre a morte do filho, mas também enfrenta ameaças e intimidações de policiais, que a atacam verbalmente por seu envolvimento na denúncia da violência.
Apoio a mães em luto
Após meses de sofrimento, Tauã fundou o projeto Fênix, inicialmente voltado para ajudar jovens a evitar o crime, mas que rapidamente se transformou em um espaço de acolhimento para mulheres que perderam filhos em situações de violência. Ela percebeu que essas mães precisavam de um lugar seguro para compartilhar suas experiências e emoções.
Atualmente, cerca de 35 mães se reúnem a cada 15 dias em um espaço social da Penha, onde podem conversar e se apoiar mutuamente. Tauã organiza as atividades e conta com doações para oferecer lanches durante os encontros. A ideia é que, enquanto o projeto busca oportunidades para os jovens, também abrace as mulheres que enfrentam a dor da perda.
Retorno à comunidade
O retorno à Praça São Lucas, onde Wellington foi encontrado, foi um momento emocional para Tauã. Durante uma festa infantil na comunidade, ela sentiu uma crise de ansiedade, mas a presença das crianças a ajudou a lidar com a dor. “Eu não consigo olhar para ali e não enxergar o meu filho ali”, desabafou. Nos encontros do projeto, ela encontra um espaço para expressar seus sentimentos e chorar ao lado de outras mães que passaram por perdas semelhantes.
Defesa de políticas públicas
Além de acolher outras mães, Tauã Brito critica a falta de políticas públicas efetivas que possam oferecer alternativas reais aos jovens nas comunidades. Ela defende que o governo deve investir em educação, cultura e opções de lazer para combater a violência de forma eficaz. “O Estado entrou e matou. E aí, o que mudou? O que o Estado fez para mudar? Não fez nada”, questiona.
Em reconhecimento a sua luta, Tauã foi homenageada com a Medalha Chico Mendes de Resistência, um prêmio que celebra a defesa dos direitos humanos. Sua história é um testemunho da resiliência diante da dor e da importância de criar redes de apoio em comunidades afetadas pela violência.





